domingo, 31 de julho de 2011

JORNAL TRIBUNA DO DIA 07/07/2011


Na doação de paulista o fomento para a educação de crianças criciumenses

Na doação de paulista o fomento para a educação de crianças criciumensesAmpliar Imagem
“É um mundo diferente. A música torna as pessoas melhores, mexe com sentimentos que você só descobre que existem quando conhece o universo musical”. É assim que o professor da Universidade de São Paulo (USP), Álvaro Pires da Silva, analisa a relação entre aprendizagem musical e Educação para a vida. Ele acredita que o cidadão que não aprende, ou que ao menos não tenta aprender, a tocar um instrumento perde uma oportunidade de desenvolver sentimentos. “Sem contar com a possibilidade de capacitação profissional”, complementa o professor.
Foi pensando em oportunizar para crianças carentes o contato com a música, que Silva decidiu doar um violão que não estava mais usando. Ele, que é amante de instrumentos musicais, diz gostar muito de violão, mas não se apega aos objetos e faz questão de encaminhar, aquele que esteja parado, para quem precisa. Era, praticamente, véspera do Natal de 2010 quando o professor decidiu pedir referências de alguma instituição para fazer a doação.
Até hoje é possível encontrar no site do cantor e compositor Toquinho recado postado por Álvaro: "Tenho um violão muito bom (feito por Luthier) que gostaria de doar para instituições que ensinem musica para crianças e adolescentes carentes. Gostaria de uma indicação de uma instituição. Obrigado. Alvaro Pires da Silva"

Como resposta, via email, o professor recebeu o link de uma notícia do município de Criciúma. Dia 25 de dezembro, bandidos invadiram a sede do projeto Show de Bola, coordenado pela Associação Beneficente Semeando Vida, e levou seis dos dez violões da instituição que realiza atividades desportivas e musicais para crianças carentes dos bairros Vida Nova e Ana Maria. “Eu quase não acreditei quando ele ligou e disse que nos doaria um violão, cujo valor era de R$ 4 mil”, relembra um dos coordenadores do projeto, Joarez de Jesus dos
Santos. O que parecia ser um sonho concretizou-se. A instituição recebeu o instrumento e o negociou com um empresário da região.
Como resultado da doação do professor paulista, foi possível repor os violões furtados, adquirir duas baterias e ainda reformar a sala onde são ministradas as aulas de música, transformando- a num mine-estúdio.
“Acredito que ele (o professor Álvaro) ajudou por entender o poder da Educação e a importância de afastarmos estas crianças da rua. Graças a ele a gente pode ampliar as oficinas de música. Antes só tínhamos aulas violão, agora as crianças podem aprender a tocar bateria, também”, comenta o coordenador. Informado pela reportagem sobre a aplicação dos recursos provenientes da doação, Álvaro demonstrou satisfação, regada à muita humildade. “Fico muito contente em saber que as crianças puderam aproveitar, mas a única boa ação que faço é doar, às vezes, um ou outro instrumento”, enfatizou, fazendo questão de fugir do rótulo de homem caridoso.

APLAUSOS MERECIDOS

A doação do professor Álvaro Pires da Silva ganhou pouca repercussão em Criciúma. No entanto, recebeu o devido reconhecimento nesta semana, com uma Moção de Aplauso concedida a ele pela Câmara Municipal. A ideia foi da vereadora Tati Teixeira, que apresentou a moção como forma de homenagear a atitude de solidariedade.
“Precisamos de mais exemplos como deste professor. Em uma época de tantas notícias negativas, nada mais justo do que mostrar ações de amor ao próximo e cidadania como a do professor Álvaro”, salienta Tati. Para a vereadora, o exemplo do professor da USP merece destaque e, certamente, vai servir como espelho para outros cidadãos. “Eu me sinto agradecido pela homenagem. Estou muito lisonjeado, mas acho que não era para tanto”, confessa Álvaro, reafirmando não ter interesse em divulgação ou sequer considerar seu gesto como um ato de heroísmo.

CARÊNCIA TAMBÉM DE VOLUNTARIADO

O projeto Show de Bola atende 70 crianças, dos bairros Ana Maria e Vida Nova, comunidades com alto índice de vulnerabilidade social. As atividades e vagas são limitadas devido à falta de recursos humanos e estrutura. Coordenado pelos voluntários Joarez de Jesus dos Santos e Michal Radamés, a Organização Não Governamental
(ONG) sobrevive de doações. São atividades desportivas e também aulas de música.
Nos sábados acontecem os treinos de futebol, para os meninos, e de vôlei, para as meninas. As aulas de violão e bateria são realizadas nas segundas-feiras e nas terças há palestras com profissionais voluntários.
Faz parte ainda do projeto o trabalho de uma dentista voluntária, com atendimento voltado à prevenção. “A ideia inicial era criar um time de futebol para tirar as crianças do ócio, afastar das situações de risco, dar ocupação para elas e condições para se desenvolverem. Tendo como principal enfoque a prevenção ao consumo de drogas”, explica Joarez, acrescentando que o projeto está sendo ampliado aos poucos, de acordo com as possibilidades, mas que falta contribuição e pessoas que disponibilizem tempo para repassar orientações e aprendizagens para a garotada.

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